Educomunicação
Comunicação como direito humano e educomunicação
As discussões sobre fake news, qualidade das notícias, acesso à internet e a democratização da comunicação têm ganhado destaque nas universidades, coletivos, movimentos populares e na sociedade como um todo. No entanto, esse não é um problema recente. O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos define a comunicação como um direito humano fundamental. Diversas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, leis nacionais e documentos internacionais reforçam a democratização da comunicação como essencial para uma sociedade mais justa, sustentável e equitativa. Ainda assim, o Brasil está distante de garantir plenamente esse direito, já que os principais meios de comunicação do país estão concentrados nas mãos de poucas famílias. Televisão, rádio, jornais e revistas mais influentes são controlados por um grupo seleto, que frequentemente perpetua uma “história única” sobre determinados grupos sociais e territórios, conceito cunhado pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.
Por outro lado, a comunicação comunitária na América Latina tem se mostrado uma estratégia fundamental para a organização dos movimentos populares, expressando cultura e política, reivindicando direitos e exercendo democracia e cidadania nas comunidades desamparadas pelo poder público. De acordo com a matéria “Comunicação popular e comunitária salvam vidas durante a pandemia”, de Tâmara Terso e Paulo Victor Melo, publicada no Le Monde Diplomatique Brasil, a comunicação popular e comunitária, fomentada por organizações sociais (OSCs) e coletivos, desempenhou um papel crucial durante a pandemia da Covid-19 ao traduzir informações sobre o vírus e dialogar diretamente com os territórios.
Agência de Comunicação Comunitária Vozes Daqui de Parelheiros
Desde 2020, o IBEAC e o CPCD, compreendendo a importância da comunicação para a efetivação de outros direitos, iniciaram, junto a jovens de Parelheiros, o jornal Vozes Daqui: de Parelheiros para o Mundo. Esse foi um passo essencial para garantir o direito à comunicação comunitária, permitindo que a própria comunidade narre suas histórias, compartilhe vivências, produza conteúdo e seja ouvida, exercendo cidadania a partir de uma perspectiva de abundâncias.
Com a chegada da pandemia, enfrentamos outro desafio: a “infodemia” – a avalanche de informações, muitas vezes falsas, sobre o coronavírus nas redes sociais. Para combater isso e fornecer informações precisas e acessíveis, lançamos o podcast Vozes Daqui de Parelheiros. Com o tempo, o podcast evoluiu para divulgar as potencialidades do território, abordando temas relacionados às riquezas artísticas, culturais, humanas e ambientais de Parelheiros. As produções estão disponíveis gratuitamente na plataforma Anchor, que distribui o conteúdo para Spotify, Google Podcasts e outras plataformas.
Formações Educomunicativas
Em 2020, ampliamos o escopo da Agência ao iniciar formações em comunicação para a comunidade de Parelheiros e outros interessados. Já realizamos diversas oficinas gratuitas, abordando temas como: Comunicação Comunitária, Advocacy, WhatsApp e Aplicativos Mensageiros, Design com Canva, Algoritmos, Escrita para a Internet, Produção de Notícias no Jornalismo de Quebrada, Discurso de Ódio e Fake News Contra Mulheres na Internet, Fotografia, Podcast e Audiovisual, Roteiro, Câmara Mágica, Câmera Invertida e Pinhole.
Parcerias que Ampliam o Impacto
Em 2021, realizamos duas campanhas em parceria com o Engajamundo. A primeira, intitulada “Diálogos”, buscou aproximar a juventude das potencialidades da biodiversidade e da diversidade local, abordando temas como racismo ambiental e recursos hídricos (mananciais, cachoeiras e reservatórios). Essa campanha gerou a produção de cards para redes sociais e lambe-lambes fixados na comunidade de Parelheiros. A segunda campanha, “Diálogos Periféricos”, deu continuidade à primeira, com a produção de vídeos e mais lambe-lambes, envolvendo crianças e adolescentes.
Em novembro de 2021, o Vozes Daqui de Parelheiros ocupou o Instagram do Instituto Moreira Salles (IMS), na ação “Ecos de Carolina”, apresentando conteúdos sobre Carolina Maria de Jesus, em diálogo com a programação pública do IMS dedicada à escritora.
Memórias de Parelheiros
O projeto Memórias de Parelheiros é uma série documental de cinco episódios que mergulha nas histórias e na cultura local. Através de relatos autênticos dos moradores, a série busca preservar as vivências que moldaram o território ao longo dos anos. A produção utiliza a Tecnologia Social da Memória, desenvolvida pelo Museu da Pessoa, valorizando as experiências e os saberes locais.
Outras Narrativas de Parelheiros
Por meio das mídias horizontais, como o jornal digital e os podcasts, o Vozes Daqui de Parelheiros promove novas narrativas sobre o território, destacando sua abundância em recursos naturais, diversidade cultural, áreas de proteção ambiental, agricultura orgânica familiar, manifestações artísticas como slams e saraus, festas culturais, a presença de imigrantes, além de iniciativas inovadoras e projetos comunitários. Tudo isso fortalece a autoestima da comunidade e evidencia a importância de Parelheiros para São Paulo, promovendo cooperação, vínculos identitários e um forte sentimento de pertencimento.










