IBEAC Ambiental
No distrito de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, segundo dados do Mapa da Desigualdade (Nossa São Paulo), 60% da população é preta ou parda e 48% tem até 29 anos — características que seguem o padrão das periferias paulistanas, historicamente mais negras e mais jovens do que a média da cidade. Nesse contexto, a área Ambiental tem como objetivo colaborar com a regeneração do meio ambiente, a justiça climática e o enfrentamento do Racismo Ambiental em Parelheiros para fortalecer o debate e a atuação em defesa do meio ambiente.
Contra o racismo, eu planto
Para dialogar com esse contexto e fortalecer o debate sobre Justiça e Racismo Ambiental, o IBEAC criou o projeto “Contra o Racismo, Eu Planto”, que propôs o plantio de 10.639 árvores nativas da Mata Atlântica em Parelheiros — número que faz referência à Lei 10.639/2003, responsável por tornar obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira na educação.
No dia 17 de dezembro de 2025, esse compromisso se concretiza: concluímos o plantio das 10.639 árvores em um terreno doado ao IBEAC e à Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo (Cooperapas). O que antes era projeto, hoje é floresta em regeneração, construída coletivamente.
O reflorestamento da área é um ato concreto de Justiça Ambiental e de reparação histórica, ao mesmo tempo em que enfrenta o Racismo Ambiental que há décadas marca territórios periféricos como Parelheiros. Cada árvore plantada afirma o direito à vida, ao território e ao futuro — para a floresta e para as populações que dela cuidam e dependem.
Um território que floresce junto
As ações de plantio têm se tornado encontros de afeto, ancestralidade, arte e compromisso coletivo, superando a simples atividade de colocar mudas na terra. Como expressa Ketlin Santos, moradora de Parelheiros:
“Esse lugar que o IBEAC constrói com a gente nos permite perceber a importância de vivenciar processos sensíveis em comunidade e com diferentes gerações. Não estávamos apenas plantando, estávamos reflorescendo e alimentando a nossa alma. A natureza e os seres humanos não são separados; fazemos parte do meio ambiente muito mais do que costumamos imaginar.”
Ketlin Santos
Maria Amorim, moradora de Parelheiros e integrante do IBEAC, conta que o senso comunitário é o que mais marcou sua experiência com essa ação de regeneração da Mata Atlântica em Parelheiros:
“O que mais me marcou foi o senso de coletividade e de comunidade. No momento do plantio, ver todo mundo plantando junto foi algo muito forte para mim, uma experiência que vou levar para a vida toda”,
Maria Amorim
Arte, memória e mobilização
A campanha também se conecta a projetos culturais e de memória que fortalecem a identidade local. A série documental Memórias de Parelheiros, que utiliza a metodologia da Tecnologia Social da Memória do Museu da Pessoa, chega à sua terceira temporada com o tema “Guardiãs e Guardiões da Vida”. Essa edição destaca histórias de quem protege o território, cuida da natureza e fortalece as relações comunitárias com sabedoria e afeto.
Essas memórias ganharão vida em uma exposição imersiva intitulada “Floresta de Gente”, na qual totens com QRcodes fixados entre as árvores reflorestadas permitirão que visitantes assistam aos relatos diretamente na Mata Atlântica. Além disso, o Núcleo de Memórias de Parelheiros irá à COP30, levando incidência política, artística e cultural sobre a pauta da Justiça Ambiental e do Racismo Ambiental para o cenário internacional.
Novos sonhos em meio à Mata Atlântica
O terreno reflorestado também é pensado como espaço de convivência, educação e cultura. Entre os projetos sonhados está a criação de uma Biblioteca Comunitária na Mata Atlântica, instalada em contêineres adaptados. Uma proposta inovadora que une natureza, literatura e vida comunitária, oferecendo às crianças, jovens e adultos do território a possibilidade de se encontrarem em meio aos livros e à floresta.
Por que reflorestar essa área?
Reflorestar uma área de Mata Atlântica ocupada por pinus é uma ação essencial para a recuperação ecológica do bioma. Enquanto o pinus, espécie exótica, provoca impactos ambientais negativos e reduz a biodiversidade, as árvores nativas restauram a vegetação original e criam condições para o retorno de aves, insetos e animais silvestres.
Em regiões periféricas, historicamente ocupadas por populações negras, indígenas e tradicionais, a restauração ambiental é também uma reparação histórica e um passo importante para garantir o direito a um ambiente saudável e sustentável.