Campanha “Contra o Racismo, Eu Planto” segue com novas datas de plantio

O Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) e a Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo (Cooperapas) seguem fortalecendo a campanha “Contra o Racismo, Eu Planto”, que começou no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) e já mobilizou mais de 800 participações voluntárias, incluindo crianças, adolescentes e jovens, além de 30 organizações e grupos parceiros.

Até agora, foram plantadas 4.940 árvores nativas da Mata Atlântica em área próxima ao Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, terreno doado ao IBEAC e à Cooperapas. A meta da campanha é chegar a 10.639 árvores, número que faz referência à Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. O reflorestamento da área é um ato concreto de Justiça Ambiental, ao mesmo tempo em que combate o Racismo Ambiental que historicamente impacta territórios periféricos como Parelheiros.

Em Parelheiros, onde mais da metade da população (60%) é preta ou parda e quase metade dos moradores (48%) tem até 29 anos, segundo o Mapa da Desigualdade, a pauta ambiental está intrinsecamente conectada às desigualdades sociais e raciais. As periferias paulistanas, “mais negras e mais jovens que a média da cidade”, são também as que mais enfrentam os efeitos da degradação ambiental e da ausência de políticas públicas para proteção de seus territórios.

O próximo mutirão de plantio já tem data marcada: dia 20 de outubro de 2025. Para participar, basta preencher o formulário de voluntariado: https://forms.gle/xod8LFJ2Bw1FaqMh9 

Um território que floresce junto

As ações de plantio têm se tornado encontros de afeto, ancestralidade, arte e compromisso coletivo, superando a simples atividade de colocar mudas na terra. Como expressa Ketlin Santos, moradora de Parelheiros:

“Esse lugar que o IBEAC constrói com a gente nos permite perceber a importância de vivenciar processos sensíveis em comunidade e com diferentes gerações. Não estávamos apenas plantando, estávamos reflorescendo e alimentando a nossa alma. A natureza e os seres humanos não são separados; fazemos parte do meio ambiente muito mais do que costumamos imaginar.”

Maria Amorim, moradora de Parelheiros e integrante do IBEAC, contra que o senso comunitário é o que mais marcou sua experiência com essa ação de regeneração da Mata Atlântica em Parelheiros:

“O que mais me marcou foi o senso de coletividade e de comunidade. No momento do plantio, ver todo mundo plantando junto foi algo muito forte para mim, uma experiência que vou levar para a vida toda”, 

Cada árvore é símbolo de resistência, memória e futuro, reafirmando que a luta ambiental e a luta antirracista caminham lado a lado.

Arte, memória e mobilização

A campanha também se conecta a projetos culturais e de memória que fortalecem a identidade local. A série documental Memórias de Parelheiros, que utiliza a metodologia da Tecnologia Social da Memória do Museu da Pessoa, chega à sua terceira temporada com o tema “Guardiãs e Guardiões da Vida”. Essa edição destaca histórias de quem protege o território, cuida da natureza e fortalece as relações comunitárias com sabedoria e afeto.

Essas memórias ganharão vida em uma exposição imersiva intitulada “Floresta de Gente”, na qual totens com QRcodes fixados entre as árvores reflorestadas permitirão que visitantes assistam aos relatos diretamente na Mata Atlântica. Além disso, o Núcleo de Memórias de Parelheiros irá à COP30, levando incidência política, artística e cultural sobre a pauta da Justiça Ambiental e do Racismo Ambiental para o cenário internacional.

Novos sonhos em meio à Mata Atlântica

O terreno reflorestado também é pensado como espaço de convivência, educação e cultura. Entre os projetos sonhados está a criação de uma Biblioteca Comunitária na Mata Atlântica, instalada em contêineres adaptados. Uma proposta inovadora que une natureza, literatura e vida comunitária, oferecendo às crianças, jovens e adultos do território a possibilidade de se encontrarem em meio aos livros e à floresta.

Por que reflorestar essa área?

Reflorestar uma área de Mata Atlântica ocupada por pinus é uma ação essencial para a recuperação ecológica do bioma. Enquanto o pinus, espécie exótica, provoca impactos ambientais negativos e reduz a biodiversidade, as árvores nativas restauram a vegetação original e criam condições para o retorno de aves, insetos e animais silvestres.

Em regiões periféricas, historicamente ocupadas por populações negras, indígenas e tradicionais, a restauração ambiental é também uma reparação histórica e um passo importante para garantir o direito a um ambiente saudável e sustentável.

Para apoiar a campanha:

Acesse: ibeac.org.br/contra-o-racismo-eu-planto
Doe mudas ou recursos, participe como voluntário e ajude a mobilizar mais pessoas.


Para mais informações, entrevistas ou imagens, entre em contato:
Gabriel Razo – Coordenação de Comunicação do IBEAC
educomunica@ibeac.org.br |  (11) 97821-4528
Instagram | @ibeacoficial
Site | ibeac.org.br
Linkedin | Ibeac


Sobre o IBEAC
O Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) é uma Organização Social que acredita no papel transformador das relações humanas e se dedica a fazer com que territórios, como Parelheiros, sejam reconhecidos como um modelo de cidadania participativa, criativa e solidária. Em Parelheiros, trabalhamos em cinco linhas de acesso aos direitos humanos: Ambiental, Cuidados, Educomunicação, Empreendedorismo Social e Literatura.

Sobre a Cooperapas
A Cooperapas – Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo nasceu em 2011 a partir do desejo de agricultores familiares de transformar a maneira como produziam alimentos. Movidos pela busca de uma produção mais saudável e sustentável, a cooperativa reúne produtores comprometidos com a preservação ambiental, a segurança alimentar e a valorização da agricultura familiar.

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